Domingo, Julho 08, 2012

Diretor William Tonet

Enaltece órgãos de comunicação do regime

BP do MPLA faz papel de vítima

O Bureau Político do MPLA considerou existirem órgãos de Comunicação Social empenhados em cumprir com zelo e dedicação o seu papel, primando
pela objectividade, ética e deontologia profissional, que deve ser apanágio da comunicação social, tendo em conta a sua importância primordial na sociedade.
 

Num comunicado de imprensa publicado no 05, o partido no poder verte estas considerações sobre o nosso bissemanário (Folha 8), na sequência da análise  que tem feito à situação política, económica e social do país, tendo igualmente analisado o desempenho da Comunicação Social pública e privada, nos últimos tempos.

É verdade que de comunicação social privada estamos falados, pois com  excepção do F8 e Agora, todos os demais foram comprados pelos lobbies do     regime/MPLA, por isso podem ser enaltecidos, mas de privados apenas têm a voz de seguir o que o dono quer.

O exemplo mais flagrante foi o que aconteceu com o semanário "A Capital". No  entanto o comunicado diz que: "neste momento, em que se preparam as  terceiras eleições na história do país, depois de 1992 e de 2008, o Bureau  Político enaltece o esforço de órgãos, quer públicos quer privados, que, com  elevado espírito patriótico e alto sentido de responsabilidade, fazem, no     dia-a-dia, um jornalismo com base na verdade, contribuindo para a  democratização do país, o desenvolvimento e a reconciliação da família angolana", lê-se na nota. Entretanto, o Bureau Político não pode deixar de manifestar a sua indignação e total repulsa em relação à postura do semanário Folha 8 que, reiteradas vezes, expõe, de forma abusiva, a imagem de altos dirigentes do Estado, dando-lhes um tratamento que extravasa os limites do tolerável, procurando a reacção dos visados, de modo a colocar-se  cobardemente numa posição de vítima".

O F8 nunca se coloca em posição de vitima é vitima deste sistema, mas tem a ombridade de reconhecer quando erra e nunca faz como o bureau político,  quando não gosta de uma critica manda os orgaos do seu sistema, prender, injustiçar ou assassinar. O F8, tal como a maioria dos povos autóctones de  Angola, são vitimas da má governação, da discriminação e da alta corrupção que grassa pelo país desde a sua independência que nega a maioria, Pão, Luz  e Água e ainda assim o povo não lhe atinge com a violência que ele faz aos outros.

F8, nunca pode se colocar numa posição de vítima neste regime, pois os seus   actos demonstram não ser necessário, uma vez estarem a mão de semear os     exemplos: onde ele coloca publicidade?

Quem impede F8 de cobrir actividades da Presidência da República, do próprio MPLA? É que se faz de vítima? É o próprio regime...

Mas voltemos ao comunicado que, considera que "o facto de tentar fazer  futurologia com ilustração de imagens reais não configura, apenas, uma  violação ao direito ao bom nome dos visados, enquanto cidadãos e enquanto  dirigentes do país, mas de crime passível de responsabilização, nos termos da lei".

F8 já conhece esta linguagem e agora é o próprio MPLA a fazer o papel de  vítima e mandar soltar os seus soldados da morte e sistema judicial  partidarizado, por uma caricatura que correu e corre nas redes sociais e cuja autoria não é do F8.

Mas tal como no passado estamos prontos a ir para a cadeia ou sermos  assassinados como foram os outros cidadãos que clamaram um futuro melhor  para Angola; Ricardo de Melo, Mfulumpinga Landu Victor, mas mesmo com os seus assassinatos o MPLA não conseguiu fazer melhor, pelo contrário, pelo que continuar a "não perder tempo com julgamentos", logo mandar assassinar a frio é parte de uma cultura incrustada a este Estado, desde 27 de Maio de 1977,  quando foram barbaramente assassinados Nito Alves, José Van dúnem e cerca  de 80 mil militantes do MPLA, que apenas clamavam melhor justiça social,  menos corrupção e melhor distribuição da riqueza nacional.

"O Bureau Político do MPLA deplora o facto de o semanário Folha 8, na sua vã tentativa de protagonismo "doentio", esquecer, deliberadamente, que o livre  exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa tem como limite o  respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, direitos estes de igual forma protegidos constitucionalmente".

F8 não procura protagonismo nem o tem doentio, pois actua diferente a quem  lhe acusa, assume os erros, sabe pedir perdão e não erra continuamente  durante 36 anos com todos os meios a sua disposição. Tivesse o F8 todas as condições que tem o MPLA e não faria o que actualmente acontece em Angola.

O protagonismo doentio é de quem tem tudo e não faz nada para a maioria dos  angolanos.

Entretanto no seu comunicado "o BP do MPLA, exorta, assim, os órgãos  competentes do Estado a assumirem as suas responsabilidades, para que a     liberdade de imprensa, constitucionalmente consagrada, não seja usada para  atingir, sem qualquer pudor e estimulados por interesses inconfessos dos seus  autores, direitos fundamentais dos cidadãos".

Estamos absolutamente de acordo, mas os órgãos competentes devem agir contra todos e não só contra aqueles que quem manda não gosta. Devem abrir   igualmente processos contra os casos de corrupção denunciados  internacionalmente, contra altas personalidades, deve igualmente abrir processos e agir contra os milhões de dólares desviados, muito recentemente pela Sonangol e não só.

Se assim agir, nós vamos aplaudir e ajudar estes órgãos a fazerem uma grande  faxina aos membros corruptos do sistema, causadores da fome, da miséria e  das grandes mazelas, por que padecem a maioria dos povos de Angola.

Finalmente, não sabemos se numa atitude de sinceridade ou de cinismo o  "Bureau Político do MPLA reitera o seu comprometimento com a liberdade de  imprensa, um principio pelo qual um Estado democrático assegura a liberdade  de expressão aos seus cidadãos, quer individualmente quer associados,  através dos órgãos de Comunicação Social, ao mesmo tempo que condena a falta de ética e deontologia profissional, bem como o exercício irresponsável do Jornalismo que, em nada, dignifica a classe".

Não diz o comunicado se o que fazem os órgãos públicos, quando discriminam  tudo que não é bajulador ou do poder é ou não irresponsável, quando atiram     cobras e lagartos contra a oposição é ou não irresponsável.