Sábado, Julho 07, 2012

Diretor William Tonet

Imagem
O MPLA-JES e a Constituição
Terça, 31 Janeiro 2012
Pelos vistos, parece que o(s) escriba(s) de JES, ao elaborar(em) a atípica constituição, “armadilhou” a mesma. JES e acólitos na ansia da promoção da cabeça de lista, não cuidaram de prestar uma leitura mais atenta a mesma (será?!).... Continuar...
Imagem
Porque JES se sente aterrorizado com uma CNE independente?
Terça, 31 Janeiro 2012
“Não importa o tamanho da montanha, ela não pode tapar o Sol”. Provérbio popular. “A Constituição não se adopta para tiranizar ou servir apenas os interesses de um grupo de indivíduos, mas para escudar a consciência dos povos”. Ruy... Continuar...
Imagem
A paz e estabilidade dependem do MPLA
Segunda, 30 Abril 2012
A situação política em Angola requer cuidados muito especiais tudo por culpa da cultura de intolerância do MPLA e a degradação cada vez maior do nível de vida dos angolanos. Entre expectativa e cepticismo quanto ao desenrolar exitoso do... Continuar...

A paz e estabilidade dependem do MPLA

Alcide SakalaA situação política em Angola requer cuidados muito especiais tudo por culpa da cultura de intolerância do MPLA e a degradação cada vez maior do nível de vida dos angolanos. Entre expectativa e cepticismo quanto ao desenrolar exitoso do processo eleitoral, os angolanos estão impacientes e faz vaga na opinião pública a urgência da mudança e alternância do poder. Estes e outros assuntos relacionados com a vida interna da UNITA, também mereceram destaque durante a conversa que mantivemos com o Doutor Alcides Sakala, que condenou veementemente a campanha insidiosa movida contra o Folha 8, ao mesmo tempo que encoraja os angolanos a se fazerem em massa ao registo eleitoral.


Folha 8 - Doutor Alcides Sakala, porta-voz da UNITA. A estabilidade do país, de acordo os últimos acontecimentos, parece ameaçada e o MPLA não dá mostras de atender esta inquietação dos cidadãos. Mesmo assim, avizinham-se as eleições gerais. Que UNITA temos hoje em termos políticos. UNITA do Muangai ou UNITA do Futuro?

Alcides Sakala - Podemos conjugar as duas questões. Muangai que é uma localidade no Leste de Angola onde a UNITA foi criada em 1966, ali se definiram os princípios ideológicos da organização que sustentam esta força política nos dias de hoje, onde a questão da Democracia esteve sempre presente. São fundamentos essenciais que consolidam esta sua visão política para Angola criada na época já virada para o futuro. Em 66 quando a UNITA foi criada, partia-se já do princípio que a Democracia no nosso país tinha de ser exercida numa base plural no nosso país, que existiriam assim vários partidos políticos; este desiderato foi conseguido graças a esta luta da UNITA e sobretudo pelo esforço do próprio Dr. Savimbi que deu a sua vida por Angola e por tal consideramos até ser o pai da Democracia no nosso país. Com a sua morte vem consagrar o seu sonho que é a adopção no nosso país do sistema multipartidário que vai se consolidar com o tempo, penso que este processo é irreversível e Angola entrou na senda da democracia produto de um longo sacrifício de angolanos que acreditavam nestes ideais e penso que as futuras gerações terão agora melhor pré-disposição para se poder consolidar todo este processo e é neste contexto que a UNITA se afirma como um Partido da mudança e nisto reside a importância deste XI Congresso que vem reafirmar esta vontade de reunir os angolanos para a mudança que nós esperamos venha a ocorrer em 2012 numa altura em que a leitura que se fazem dos factores internos e externos, dão indicadores muito animadoras de que as mudanças são possíveis neste país.
De outro lado é também produto do esforço dos quadros dirigentes da UNITA que ao longo de quarenta e tal anos se vêm batendo com coerência, com força anímica, acreditando sempre num amanhã e este amanhã pensamos que está próximo numa altura que o actual sistema político está de facto a viver um processo de crise que se pode ler hoje do sistema político em Angola que se confronta com uma série de problemas, desde a corrupção, a violação dos Direitos Humanos, a longevidade da liderança no poder que noutros países da África do Magreb fundamentalmente estiveram na origem das mudanças que ocorreram nesses países.

F8 – Críticos dizem que a grande fraqueza da UNITA de Muangai era a regionalização, mais do que isso o regionalismo que imperava na UNITA. Continua a ser verdade? Foi verdade? Hoje temos uma UNITA muito mais científica ou mais natural, cultural?

AS – Não falaria tanto nesta perspectiva natural. Talvez fosse bom analisarmos a evolução do nacionalismo angolano, em que apareceram os três partidos políticos MPLA, FNLA e a própria UNITA, que tiveram bases de apoio relativamente em áreas de maior influência. Penso que a UNITA conseguiu situar-se acima deste conceito de regionalização que amarrava os dois partidos políticos iniciais, a FNLA, o MPLA e as suas respectivas áreas tradicionais. A FNLA surge da UPA no Norte, num quadro claramente regional, naquela época que depois tentou evoluir quando se constituiu uma frente nacional de libertação de Angola, assim como o MPLA que teve uma base importante numa determinada região do país. Entenda-se, a UNITA foi criada no Leste de Angola, predominantemente Tchokwé, não no planalto central de Angola e ela afirma-se como a União Nacional para a Independência de Angola, em que no núcleo dirigente aparece figuras de Cabinda, do Centro, Norte, do Leste e Sul de Angola como plataforma inicial para se poder levar avante o projecto social na altura, como alternativa aos dois movimentos de libertação porque os quadros fundadores da UNITA partiram do princípio que, para que a revolução fosse bem sucedida, os líderes dirigentes desse processo de mudança revolucionário, tinham de ficar no interior do país, contrariamente ao MPLA e a FNLA que tinham as suas direcções políticas no exterior do país.

F8 – Porque razão, estas críticas tiveram persistente sustentação e quase tornaram-se num facto?

AS – De um lado houve propaganda que se entendia perfeitamente naquela altura em que se procurava dar a UNITA esta dimensão regionalista. Houve uma máquina muito forte de propaganda que procurou criar esta ideia, mas durante os anos de resistência, provou-se o contrário. A UNITA esteve presente em todo o país, com o apoio das populações, fundamentalmente dos camponeses.

F8 – Realizou-se este congresso mais recente. Que UNITA saiu deste congresso em termos da sua estrutura e em termos do seu projecto para Angola. UNITA resumida, ou uma UNITA muito mais representativa?

AS – Saiu uma UNITA reforçada para poder imprimir nos próximos tempos, primeiro a sua estratégia de mudança. A ideia assente no slogan que se adoptou para este Congresso “Unir Angola para a mudança” vem dar conteúdo a esta UNITA que viveu um processo de transição de 2002 até aos nossos dias. A UNITA foi um Partido Estado que teve sua Capital provisória a Jamba, tinha Forças Armadas - FALA, desmobilizou o seu exército que era para cima dos 105 mil homens, tinha uma diplomacia actuante e respeitada, uma administração funcional que atendia quase metade da população de Angola. Deixa-me lembrar um facto muito importante: nós chegamos mesmo a ter na Jamba um representante residente americano naquela altura da guerra fria. A UNITA era uma força considerável no país que governava uma vasta área libertada e influenciou profundamente os acontecimentos não só na África Austral, como também em todo o continente africano. Mas esta foi uma fase.
A UNITA foi um Partido Estado que teve sua Capital provisória a Jamba, tinha Forças Armadas - FALA, desmobilizou o seu exército que era para cima dos 105 mil homens, tinha uma diplomacia actuante e respeitada, uma administração funcional
Com a morte do mais velho Jonas em 2002, instaurou-se a crise mais profunda da UNITA. A UNITA procurou dar continuidade aos ideais do Doutor Savimbi que acreditava plenamente que era preciso encontrar uma plataforma negocial para se fazer a transição. E é o que passa agora. Nestes últimos 10 anos, a UNITA tem conseguido transformar-se de um Partido Estado para um Partido Político na sua essência, com responsabilidades acrescidas dada a natureza da própria situação e neste momento como decisão do XI Congresso, envida esforços para se transformar numa máquina eleitoral permanente já que teremos eleições agora em 2012 e as autarquias no ano seguinte. Vamos passar a viver actos eleitorais consecutivos e nessa altura, todos os partidos políticos que tenham vocação de governar, têm de criar estas condições no sentido de poderem captar eleitores para a causa que cada um defende.

F8 – A UNITA também é pintada como incapaz de governar, seu comentário.

AS – Também é um pouco de propaganda, sabe que a UNITA tem um percurso activo dinâmico na sociedade angolana na região e no mundo, tem uma experiência de governação e nós vamos trabalhar com todos os angolanos, é fundamentalmente isto. Vamos procurar nesta perspectiva de reconciliação nacional, seguir um pouco o exemplo dos países anglófonos, como a Namíbia, a África do Sul. Hoje os brancos fazem parte da própria governação e a UNITA terá que trabalhar com todos os angolanos e naturalmente haverá a necessidade de se despartidarizar a sociedade. É preciso trabalhar com aqueles que são mais capazes, partindo deste princípio, trabalhar com aqueles que, sendo de outros partidos tenham experiência de governação e demonstrem competência. O que vai mudar é fundamentalmente a orientação do país, mas os quadros são todos quadros angolanos. Hoje infelizmente fazemos face a um sistema que exclusivista que rejeita os outros. Se você não é do partido no poder, você não tem espaço neste país. Vamos fazer exactamente o contrário, para que Angola se abra amplamente e se deixe como legado às futuras gerações, uma experiência nova de convivência nacional de coabitação, porque é possível e acreditamos mesmo que doravante com o debate político que está a ocorrer no país, e o envolvimento massivo dos jovens, vamos ter muitas surpresas em 2012.

F8 – Uma das surpresas?

AS – Uma das maiores surpresas que vai ocorrer, é que este processo eleitoral já vai correr de forma diferente. Porque de um lado a UNITA está preparada para assumir outras formas políticas de luta política. Quero deixar isto bem claro. É que a própria Constituição confere este direito aos angolanos e também a influência do que se passa na África do Magreb. Os povos africanos hoje encontraram outras formas de luta política para reivindicarem seus direitos.

F8 – Numa única palavra. 1 - A UNITA responsabiliza-se a empurrar os angolanos para se registarem e participarem activamente nas eleições. 2 – O que realmente poderá acontecer se o MPLA persistir com a fraude e esta produzir convulsões. Como é que a UNITA poderá reagir?

AS – O MPLA terá de assumir as responsabilidades. Em 2008 aceitamos os resultados eleitorais simplesmente em nome da paz e da estabilidade.

F8 – Isto está ultrapassado?

AS – Está ultrapassado porque a pressão que sofremos naquela altura, esperamos que este quadro não se verifica hoje. Sabe que há um mês atrás decretamos que devíamos passar a realizar manifestações nacionais para defesa da Constituição. Tudo está consagrado constitucionalmente, mas vamos ainda privilegiar o próprio diálogo que até vem reforçado em certa medida pela mensagem do Presidente da República de Fim de Ano em que privilegia o diálogo, como a melhor maneira de resolvermos os problemas nacionais. Os factores dinâmicos de mudança existem de um lado, os indícios de tensão e risco de conflito também. Tem de se gerir isto muito bem. A UNITA está sob uma grande pressão popular de ir para rua. Aquilo que é conhecida como Primavera Árabe tem estado a influenciar o pensamento das novas gerações, também no nosso país. Para dizer que é o General Numa quem começou com a greve de fome no Bailundo em Janeiro em 2011.

F8 – Abriu-se uma etapa nova.

AS – Isto está na Constituição e desde Janeiro do ano passado vimos um movimento juvenil inconformado nas ruas, mas sem o envolvimento da UNITA. Nós não participamos, mas fomos encorajando esta decisão da juventude angolana. Mas em Dezembro do ano passado, decidimos que passaríamos directamente a organizar manifestações a nível nacional se necessário. Até dissemos na altura, quando em Setembro, o porta-voz do MPLA o senhor Falcão quis incutir na opinião pública nacional e internacional que a UNITA estaria por detrás das manifestações, que havia um barco com armas no Lobito, achamos isso uma brincadeira. Quando a UNITA for a preparar as suas manifestações ela vai tomar uma posição pública como fizemos em Dezembro.

F8 – O MPLA prepara-se para o mesmo cenário: há informações que este quadro de reformas no seio das Forças Armadas com a incorporação selectiva, organização dos quartéis nas periferias, a nomeação de mais um Chefe do Estado Maior, é nesta perspectiva. Onde é que a UNITA se encaixa e como é que a UNITA, para além dos discursos conta reagir?

AS – Primeiro, em caso da situação resvalar, só vai sofrer o país, e Angola tem como vantagem, termos vivido já um longo período de conflito. Não há hoje pré-disposição de quem quer que seja de voltar outra vez para aqueles tempos dos anos 80/ 90, em que não se podia circular, enfim. E se os indivíduos estão no mesmo contexto de mudanças, e o país procura hoje afirmar o seu processo de reconstrução pós guerra, que é de responsabilidade de quem está a dirigir o país, não é nada que é segredo para ninguém. Quem governar terá de fazer mesmo isto, mas é uma aposta dos governos que se vão suceder. Mas há ganhos que conseguimos durante estes anos de paz, que é preciso preservar e penso que hoje tem de ser preocupação dos actores políticos nacionais, preservar, com esta paz de Abril de 2002, sobretudo a sociedade civil deve estar muito mais vigilante. Entretanto, se esta for a opção do MPLA, naturalmente terá de assumir as consequências, perante os angolanos, perante a África, perante o mundo. A partir do princípio que Angola ainda está inserida numa região de grande instabilidade. Portanto, temos de concertar internamente para a definição das melhores estratégias que permitam que a democracia se consolide, que a paz se consolide, que o desenvolvimento se afirme num quadro de mudanças essenciais.

F8 – Há dias um jovem foi morto por sua mãe porque exibia em sua casa, símbolos da UNITA. Segundo informações, isto poderia ser o prelúdio de confrontos. Como a UNITA está a gerir esta situação?

AS – Primeiro, nós estamos indignados com esta atitude. Esta situação ocorre num quadro que tenha ocorrido situações idênticas não talvez como este quão repugnante que ocorreu aqui em Luanda, mas que a intolerância ocorre em todo o país. Desde 2002, temos vindo a denunciar esta situação. Na altura o Executivo quis dar uma explicação que era paliativa, não ia ao âmago do problema, mas a